Gays de Uganda ganham indenização de jornal que pediu seu enforcamento

Grupo teve nomes, fotos e endereços publicados em reportagem do diário Rolling Stone
Homem lê reportagem polêmica do jornal ugandense Rolling Stone, com manchete "Top gays de Uganda”
O grupo de homossexuais identificados publicamente em um jornal de Uganda, com
a manchete “Enforque-os”, ganhou uma liminar na Justiça estipulando uma
indenização e ordenando o diário a não repetir esse tipo de iniciativa,
confirmaram nesta segunda-feira (3) grupos de direitos humanos.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a alta corte do país considerou que a
matéria do jornal local Rolling Stone, mostrando endereços e fotografias de
cerca de 100 pessoas nomeadas como “Top gays de Uganda”, viola os direitos
constitucionais de privacidade e segurança. A publicação não tem qualquer
relação com a revista americana Rolling Stone.
O tribunal estabeleceu uma multa de aproximadamente R$ 1.021 a ser paga pelos
três autores da matéria a cada vítima, informou em comunicado a Coalizão da
Sociedade Civil de Direitos Humanos e Direito Constitucional em Uganda.
A reportagem foi publicada no final de outubro e enfureceu ativistas, que dizem
que o grupo, já marginalizado, poderia sofrer mais ataques. Segundo o Guardian,
pelo menos uma mulher lésbica teve que deixar sua casa depois que vizinhos
apedrejaram sua casa.
O conteúdo publicado pelo Rolling Stone dizia que a comunidade homossexual do
país disse vai recrutar 1 milhão de crianças até 2012. A matéria também convoca
os pais a combater "invasões ‘homos’ nas escolas". Dentro, uma manchete dizia:
"Enforque-os, eles estão atrás de nossos filhos!".
Rejeição aos gays é presente em Uganda
O artigo foi publicada um ano depois que um deputado do país, David Bahati,
apresentou uma medida que exige a pena de morte ou prisão perpétua para quem
participar de atividades homossexuais.
A proposta foi arquivada depois de um protesto internacional.
Em outubro, o editor do jornal, Giles Muhame, defendeu a matéria e disse que
ele a publicou para expor os gays e lésbicas que devem ser presos pelas
autoridades.