
Dados do Disque 100 revelam que, em 39,2% das ocorrências, vítimas são agredidas por desconhecidos

BRASÍLIA - Desconhecidos e vizinhos são os que mais praticam violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), dentre os casos denunciados ao Disque 100, o Disque Direitos Humanos. A central de atendimento do governo federal foi criada para registrar abusos contra crianças e adolescentes, mas, desde o início do ano, expandiu o serviço para outros grupos, como a população LGBT.
Levantamento da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) - ao qual o Estado teve acesso e que será divulgado na segunda-feira - aponta que, em 39,2% dos episódios de violação relatados contra a população LGBT, o agressor foi um desconhecido; em 22,9%, vizinhos; e em 10,1%, os próprios amigos.
De janeiro a julho, o Disque 100 recebeu 630 denúncias contra a população LGBT. As vítimas concentram-se na faixa etária de 19 a 24 anos (43%) e de 25 a 30 anos (20%).
Os casos mais comuns de violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são os de violência psicológica (44,38%), como ameaça, hostilização e humilhação, e de discriminação (30,55%).
Das vítimas, 83,6% são homossexuais, 10,1%, bissexuais e 4,2%, heterossexuais que sofrem algum tipo de violência ao ser confundidos como gays.
No recorte feito por Estado, São Paulo (18,41%), Bahia (10%), Piauí (8,73%) e Minas Gerais (8,57%) lideram as denúncias - o Rio de Janeiro aparece com apenas 6,03% - por já contar com um serviço semelhante oferecido pelo governo estadual.
"Isso demonstra que a violência de caráter homofóbico tem um forte componente cultural, é a mais difícil de ser enfrentada porque é justamente a que não fica comprovada por marcas no corpo", disse ao Estado a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.
Baixo índice. Do total de denúncias recebidas diariamente pelo Disque 100, as que dizem respeito à população LGBT não ultrapassam 1% - um dos motivos do baixo número seria o fato de o módulo de atendimento específico ainda ser pouco conhecido. "Esses números não refletem a realidade do Brasil, que é ainda pior", afirma Maria do Rosário.
Para o ouvidor Domingos da Silveira, da SDH, os dados do levantamento são reveladores. "Mostram a capilaridade da homofobia, ela vem do interior, das capitais", diz. "Ela está disseminada e se tornou banal."
Resolução. Os casos denunciados ao Disque 100 são ouvidos por uma equipe de teleatendimento e posteriormente encaminhados a órgãos competentes, como o Ministério Público, a Defensoria Pública da União e centros de referência ligados à comunidade LGBT espalhados por todo o País.
Em alguns casos, a própria Secretaria de Direitos Humanos intervém na resolução do conflito.
Foi o que ocorreu com um casal de lésbicas, que denunciou o fato de uma das companheiras não ter conseguido incluir a outra no plano de saúde. Após um ofício da SDH ter sido encaminhado ao hospital em contato com o casal, o caso teve uma resolução.
O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, é enfático na defesa dos direitos da população LGBT.
"Não queremos cargos no DNIT (o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, que virou foco de corrupção na administração federal recentemente) nem que nos paguem governanta (em referência a um dos escândalos que derrubaram Pedro Novais do Ministério do Turismo), apenas cidadania", diz. "A homofobia precisa ser criminalizada", defende Toni Reis.
O D.A DE DIREITO DA UNICAP/FENED e o MOVIMENTO GAY LEÕES DO NORTE convidam a tod@s para o I SIMPÓSIO PERNAMBUCANO DE DIREITO HOMOAFETIVO!
DIA 16 E 17 DE SETEMBRO NA UNICAP.
DIA 18 DE SETEMBRO - PARADA DA DIVERSIDADE DE PERNAMBUCO!

Programação:
Dia 16 de setembro - A abrangência do Direito e a discriminação de homossexuais
08h: Credenciamento
09h: Mesa de Abertura
Manoela Alves – Presidente do Movimento Gay Leões do Norte
Henrique Mariano – Presidente da OAB-PE
Celso Severo – Presidente do CRESS
Pedro Josephi – D.A de Direito da UNICAP/FENED
Jayme Benvenuto – Diretor do CCJ/UNICAP
10h00min às 12h – 1ª Mesa: A Laicidade do Estado e o Direito à Livre Orientação afetivo-sexual
Prof. Torquato Castro – Departamento de Direito/UFPE
Dr. Clicério Bezerra – Juiz que realizou o primeiro casamento gay em Pernambuco
Jayme Asfora – Conselheiro Federal da OAB
12h: Almoço
14h00min às 16h – 2ª Mesa: O reconhecimento da união homoafetiva como entidade familiar no Direito brasileiro
Profa. Silvana Mara – Departamento de Serviço Social/UFRN
Elio Braz – Juiz da 2ª vara da Infância e Juventude da Capital-PE
Prof. José Maria Silva – Prof. de Direito de Família da UNICAP; IBDFAM. Conselheiro Estadual da OAB
Valdécio Carlos da Silva Junior – Assistente Social; Vice-presidente do Movimento Gay Leões do Norte
16h30min às 18h: 00min – Painel: Vivências em famílias homoparentais
17 de setembro – Promoção da Cidadania LGBT
09h às 12h – 3ª Mesa: Políticas públicas e o enfrentamento da homofobia
Rildo Veras – Assessor Especial LGBT do Gabinete do Governador/PE
Rivânia Rodrigues – Gerência de Livre Orientação Afetivo Sexual da Prefeitura do Recife
André Guedes – Pedagogo; Produtor do Documentário “Singularidade na Educação”.
Iris de Fátima – Fórum LGBT de PE
12h: Almoço
14h00min às 16h – 4ª Mesa: Vulnerabilidade Social LGBT em foco e Criminalização da Homofobia
Jean Wyllys – Deputado Federal (PSOL)
Westei Conde – Promotor de Justiça do Estado de PE
Prof. Pe. Luís Corrêa – PUC/RJ; Fundador do Grupo Diversidade Católica.
Rhemo Guedes – Advogado; Movimento Gay Leões do Norte.
Maria Júlia Leonel — D.A de Direito da UNICAP/FENED
16h00min às 17h00min: Exibição de curta e encerramento
VALE 16H de atividade Complementar
INSCRIÇÕES: R$ 20,00 até o dia 14/09 no D.A de Direito (Sala 302, Bloco G, manhã e noite) ou através de depósito identificado na conta do Movimento Gay Leões do Norte (Banco do Brasil, agência 1850-3, conta 12193-2), devendo o inscrito, em seguida, enviar seus dados para o e-mail simposiopelgbt@gmail.com e aguardar confirmação.
FACEBOOK: Facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=240991882604291#!/event.php?eid=240991882604291

Convidamosa sociedade civil em geral, para unir forças conosco na agenda da Semana daVisibilidade Lésbica.
Informamosque é de suma importância levarmos nossas bandeiras, reivindicações.
Abraçossolidários.
Ana CarlaLemos
Centenas de casais do mesmo sexo foram a uma agência de Nova York para ouvir as tão esperadas palavras: "então eu declaro vocês... casados".
Link: http://www.gazetadopovo.com.br/entrevistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1143119&tit=Um-homem-de-respeito
Ele faz o tipo correto. Boa-praça, agradaria se rezasse missas ou se desse aulas. Digníssimo, preferiu ser o “Toni do Dignidade”. E é a voz mais contundente do Brasil na defesa das minorias sexuais, que estreia a nova série da Gazeta do Povo
03/07/2011 | 00:12 | Aldrin Cordeiro e Marcelo Furtado

Em maio deste ano, o paranaense Toni Reis, 47 anos, foi um dos primeiros a registrar a união homoafetiva no país, após decisão unânime do Supremo Tribunal Federal. Não poderia ser diferente. Toni vem de uma longa trajetória de luta pelos direitos dos homossexuais. Desde 2006, é presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais (ABGLT), posto que o levou ao centro do poder, em Brasília, e a conseguir o apoio do ex-presidente Lula – a quem chama de “amigo”.
» Vídeo: Toni Reis fala sobre a descoberta da sexualidade
» Fotos: confira o ensaio fotográfico com Toni Reis
» Fotos: veja os bastidores da entrevista
Nascido em Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná, o ativista passou a infância e a adolescência no interior, ora em Pato Branco, ora em Quedas do Iguaçu. Foi nesse ambiente de gaúchos, como diz, que percebeu sua diferença. E não só na sexualidade: aos 14 anos, ao se ver excluído pelos colegas na hora do futebol, decidiu comprar uma bola e fazer o seu próprio jogo. Naquela época, um médico lhe avisou: para não ser discriminado, teria de sair da cidade e estudar.
Em Curitiba, Toni Reis se formou em Letras pela Universidade Federal do Paraná. Depois se mudou para a Europa, onde viveu seis anos e conheceu seu companheiro, David Harrad. De volta à capital, fundou o Grupo Dignidade. Era 1992 – o ano em que Toni Reis “tirou o Paraná do armário.”
Como você paga suas contas?
Casei com homem rico (risos). Estou brincando. Eu e o David temos uma empresa de tradução e também faço consultoria e palestras na área da sexualidade.
Quando descobriu que era gay?
Tinha 14 anos e não era escolhido para jogar futebol. Cheguei para minha mãe e falei: “Sou estranho, doente, pecador e sem-vergonha. Eu sou gay.” Ela respondeu: “Você realmente é sem-vergonha, pecador e doente”. Me levou a um médico de Pato Branco para me curar. E estou aqui bem gay, um líder gay. Foi uma situação complicada: sou do Sudoeste do Paraná, uma região de gaúchos, de família conhecida. O doutor Antônio Freire me falou: “Essa é apenas uma variante da sua sexualidade e você vai ter que ir para uma cidade grande, estudar para ser respeitado. Se for pobre e ficar no interior será muito discriminado.”
Você queria ser padre...
Queria. Mas contei para o meu diretor espiritual que eu era gay. Ele disse que eu não poderia ser padre. Um outro padre, o Sigismundo, falou que o que eu sentia era doença e pediu para eu fazer novena para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quando contava para ele que eu tinha desejos pelo Tony Ramos ele me mandava voltar para o primeiro dia da novena. A novena virou uma quarentena.
Foi sua única tentativa?
Não. Me falaram de um pastor que curava de tudo. Fui lá e o pastor falou: “Aqui tem um cara com catarata, um com epilepsia e um guri com um problema sério que eu não vou falar qual é. Mas vamos orar por ele.” Fui a um terreiro e o pai de santo falou que eu tinha pomba-gira com duas cabeças desgovernadas. Pensei no suicídio três vezes. Hoje, se aparecer a cura, não quero me curar.
Você foi discriminado?
Me formei em Letras pela Universidade Federal do Paraná, participei muito do movimento estudantil e fui presidente da Casa do Estudante Universitário, a CEU. Fui candidato a presidente da casa e todo mundo sabia que eu era gay. Nos debates, diziam: “Não podemos ter um homossexual presidente”. Foi muito triste.
Hoje, Toni Reis é recebido nos mais diversos segmentos da sociedade. Como você consegue?
Tenho que trabalhar, produzir, escrever e me articular. É preciso ter uma causa e entendê-la. Agora, a minha causa é aliar a ALGBT com outros movimentos. Daqui a dois anos eu me aposento da liderança nacional, mas vou trabalhar com educação. A educação é a solução para muitos problemas no Brasil.
Como é a relação com sua família?
Aos 14 anos, minha mãe me levou a um médico para me curar. E quando eu tinha 27, ela se propôs a casar com o meu marido [para ele conseguir o visto de permanência no Brasil]. Se minha mãe mudou, eu creio que a sociedade também pode mudar.
Meus familiares me reconhecem. Fiz um curso superior, especialização, mestrado e estou concluindo meu doutorado. Alguns aceitam e outros respeitam. E uma das nossas grandes reivindicações é que as pessoas nos respeitem. Aceitar é muito difícil.
Qual a sensação depois de ter oficializado sua união civil?
É bacana. Meu amor pelo David continua o mesmo. E agora temos a documentação. Tem a questão do nosso patrimônio. Queremos filhos e estamos no processo de adoção. Em breve vamos ter mais uma resposta. Se perdermos, vamos recorrer.
O que emperra o debate LGBT no Brasil?
A questão religiosa e a heteronormatividade. Nós somos criados para ser heterossexuais. Sabemos que 10% da população é homossexual. Se hoje temos cerca de 1,8 milhão de habitantes em Curitiba, 180 mil são LGBTs. Nossa criação, educação, as propagandas na televisão, as novelas, tudo é feito para os heterossexuais. Inclusive, nós gays, lésbicas, travestis, muitas vezes pensamos de uma maneira heteronormativa, querendo copiar o mundo hétero. A outra questão é a religião. Na Idade Média, éramos queimados na fogueira pela Santa Inquisição, depois fomos tratados como criminosos e até o dia 17 de maio de 1990 a homossexualidade era considerada uma doença. Ainda tem muito esse rescaldo cultural de tratar a gente como pecador, como sem-vergonha, fora da norma e doente.
Qual sua opinião sobre o kit anti-homofobia, que foi barrado pela presidente Dilma?
Nós queríamos fazer um trabalho com os professores, com um material dirigido a eles. E a Dilma recebeu, pelo deputado federal Garotinho (PR-RJ), uma série de materiais de prevenção à aids relacionado à prostituição e drogas e colocou o kit do “Escola sem homofobia” junto. A Dilma viu aquilo e disse “vamos suspender”. Agora, nós estamos em diálogo com a presidência. Vamos ampliar o trabalho.
Qual a sua avaliação do governo da presidente Dilma em relação às ações LGBT?
No governo Lula tivemos um salto grande, pois ficamos na pressão e cobrando dos ministérios. Hoje, nós temos um plano nacional LGBT e a participação de 18 ministérios. A presidente Dilma está seguindo isso. Teve o revés do kit, mas por pressão. Havia um contexto político. E foi a presidente Dilma que falou que o Garotinho chantageou: “Temos 80 votos. Se não fizerem isso [barrar o kit], vamos fazer aquilo [assinar a criação da CPI do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci]”. Aí, ela suspendeu e agora vamos ampliar o kit. Do limão, a limonada.
Como você vê a influência da religião em questões políticas no Brasil?
Sinceramente, acho que as pessoas devem ter seus valores, mas religião não dá para misturar com política. É inconstitucional ter uma frente parlamentar evangélica. Isso não ajuda a democracia. É claro que quando um evangélico é eleito, ele vai levar seus valores e pode votar com a sua consciência. Mas nós não podemos tornar o Brasil uma teocracia. Temos judeus, católicos, o pessoal de matriz africana e pessoas ateias, que devem ser respeitadas.
Quanto a seus adversários políticos...
Eu converso com todo mundo. Talvez, a pessoa mais chata do Brasil seja o Jair Bolsonaro (PP-RJ). Mas é uma pessoa que não tem credibilidade nacional. Dentro do Congresso, ele já mandou o Fernando Henrique Cardoso para o paredão para ser fuzilado.
Na última semana, a deputada estadual e atriz Myrian Rios comparou homossexuais a pedófilos. O que diz?
O novelista Walcyr Carrasco foi muito feliz ao falar que ela é burra, embora não seja essa a minha opinião. Ela é uma mulher mal-informada. Não quero ser moralista, mas se olhar para o passado dela não a contrataria para ser a babá dos meus filhos. Espero que um dia ela venha para a luz.